Devaneio #2



Sei que se... o volume estiver alto (demasiado alto), a voz for forte (demasiado forte), e as batidas e guitarradas forem irritantemente potentes (demasiado potentes), a mente desacelera, abranda, remexe.... e pára. E eu respiro. Fundo (não suficientemente fundo, mas fundo o suficiente para me afundar no silêncio que me ampara nuns braços nus, crus e gélidos).
Sei que se... o horizonte estiver longe (demasiado longe), o sol fraco (demasiado fraco), e o céu se deixar manchar por névoas congeladas de fragmentos de cinza e escuridão (demasiadas névoas), a visão turva e desampara a mente num embate seco e mudo num chão sem pouso, e estilhaça as réstias de desumanidade humanamente irritante e potente e gélida e...
Divago num texto ausente de sentido e tudo o que me resta é suplementar o ruído de fundo com a auto-colocação num palco imaginário onde quem aumenta o volume alto, perpétua a voz forte e toca as guitarradas irritantemente potentes sou eu, e me deixo fundir numa perfeita e somente só névoa enregelada ausente de mente e pensamento.
Deixo-me afundar. E a escuridão e ausência de barulho são o elixir que tanto precisava. Somente para que o demasiado seja um prego no meu caixão a que chamam vida.
Porque sei que se... Jamais respirarei fundo o suficiente para colapsar numa inexistência ausente de sentido.

Porque... Sei que se...

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