Devaneio #1

 Foi no meio da solidão.

A ver um qualquer filme. 

Sobre o amor. A vida. E a morte. O fim da vida. A mágoa e a dor.

E do nada desabou. A alma cedeu. A fortaleza desvaneceu. E o sufoco se ergueu.

Aquele aperto. Aquele nó na garganta. Aquela necessidade de respirar, mas cujo oxigénio não surge num espaço onde a solidão é rainha.

E chorei. Não me lembro da última vez em que o fiz. Num hábito incessante de substituir a lágrima pelo sorriso, sob a esperança de que não transpareça o caos interior que se esbate sob aquele sorriso.

Tenho saudades tuas. E culpo-me pelo facto de não estares mais aqui.

Onde estás?

Por onde andas?

Porque foste? Porque partiste? Porque me deixaste aqui?

Foi no meio da solidão. E tal como surgiu, se foi. E o sorriso desenhou-se de novo. Porque amanhã a solidão continuará, mas com uma plateia que não sabe a qual peça verdadeiramente estará a assistir.

No meio da solidão.

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Fénix