Devaneio #9

Aqui me despeço. De ti. De mim. De um esboço não definido, incorpóreo, e que apenas existiu por ser imaginado única e exclusivamente por mim.
Aqui me despeço. Das memórias mal interpretadas por mim. Dos momentos recordados indefinidamente, infinitas vezes, por mim. Mas, que no final de contas, nada significaram. 
Aqui me despeço.
Do tempo. Da saudade. Da tristeza desmesurada.
Estou louca. Só poderia estar a enlouquecer, numa inércia sentimental que me faz querer.. Não importa.
Interpretei um filme de indiferença como uma espécie de suspense romanceado, se assim se poderá dizer. E... mente tramada a minha.
Por isso, aqui me despeço. De uma mente demasiado fértil para momentos soltos e insignificantes, magnificados por uma poesia mal corrida que não foi escrita num papel timbrado, nem assinado com uma caneta de tinta permanente.
Aqui me despeço. Da minha insanidade. Dos fragmentos que, por momentos, me fizeram acreditar num final diferente, para um livro cujo o final já estava mais que escrito e re-escrito, lido e re-lido.
Aqui me despeço.
Contento-me a ser somente vestígio acéfalo para não voltar a sentir, a pensar, a imaginar. Contento-me em ser oca. Em não me permitir existir. Porque... é mais fácil. E mais sincero. E mais real.
Aqui me despeço.
De ti.
De mim.
De...

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Fénix